Marco Aurélio Gonçalves: um dekassegui com orgulho
Marco Aurélio Gonçalves, 37, nasceu em Maringá, é casado e pai de dois filhos. É graduado em contabilidade e tem pós-graduação em comércio exterior. Além disso, fez especialização em gestão de pequenas empresas na USP (Universidade de São Paulo) e é mestrando em engenharia de produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. Visitou o Japão duas vezes. A primeira, para fazer um curso; a segunda foi uma visita com várias autoridades maringaenses, neste ano. É consultor do Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas há 13 anos e criador do Projeto "Dekassegui - Empreendedor e Cidadão", que é um apoio às pessoas que foram e retornaram do Japão. Nessa entrevista, Gonçalves faz um panorama sobre a realidade dos dekasseguis e conta como é o perfil da colônia japonesa no Brasil.

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Como surgiu a idéia do 1º Congresso Brasileiro sobre o Movimento Dekassegui? Tenho o projeto a quase um ano em Maringá. Foram feitas várias palestras e cursos de empreendedorismo voltados para dekasseguis. Lancei a idéia para divulgar a comunidade japonesa no Brasil e a presença do Sebrae, como projeto de apoio. |
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Quais são os objetivos do congresso? Conscientizar os descendentes para a ida ao Japão, preparar as pessoas para o retorno ao Brasil e capacitá-las para os novos empreendimentos que irão fazer quando chegarem ao Brasil. A idéia é apresentar casos de sucesso, para que se espelhem e observem que é possível vencer no retorno ao Brasil. Porém é preciso reconhecer que existem obstáculos a serem enfrentados. Muitos acham que ir ao Japão para trabalhar e voltar ao Brasil com a situação financeira resolvida é sinônimo de sucesso, mas não é. |
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Qual é o perfil da comunidade japonesa no Brasil? A comunidade japonesa não gosta de aparecer e é introvertida. Trabalha muito, é inteligente, não deseja ter visibilidade. Quer participar da construção do país, mas não quer aparecer. |
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Quantos maringaenses trabalham no Japão? Ainda não existe esse levantamento. Acredito que ao longo do tempo vamos conseguir levantar esse dado. Hoje, temos 9 mil famílias de descendentes de japoneses morando em Maringá. |
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Por que muitos investimentos dos dekasseguis não dão certo no Brasil? As pessoas vão para o Japão pelo aspecto financeiro e que não deixa de ser também uma busca de origem. Chegando lá [Japão] eles não são tratados como um japonês e sim como estrangeiro. Passado um longo tempo, se distanciam da economia brasileira. Ao retornar para o Brasil, começam as questões de cunho psicológico, de reabilitação no país, de relacionamento com o cônjuge e da adaptação das crianças que nasceram no Japão. O movimento gera uma série de situações que precisam ser debatidas e discutidas. O Japão pode ser uma excelente oportunidade para a pessoa em si e para o Brasil. Os dekasseguis mandam US$ 2 bilhões por ano ao Brasil ano, equivalente à exportação de aviões da Embraer [Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A]. O Brasil ganha muito com isso, porém há necessidade de que essa mensagem de orientação chegue, principalmente para os jovens. |
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Como o senhor visualiza o cenário do movimento dekassegui nos próximos anos? Com a liberação do visto para os descendentes da quarta geração, a possibilidade é que vá para o Japão cerca de 100 mil brasileiros. O movimento não acaba, mas tem de trazer oportunidades e diminuir o lado ruim. Porque temos de estabelecer metas. |
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Agora vamos falar um pouco mais sobre a sua vida pessoal. Você é casado ou solteiro? Casado. |
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Qual o tipo da mulher que te enlouquece? Mulher decidida, que gosta de tomar a iniciativa. |
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O que você não suporta em um relacionamento? Ciúmes. |
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Um lugar para curtir o verão? Qualquer praia que tenha uma onda legal e um quiosque que venda bebida bem pertinho. |
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Companheiro para todas as horas? Tenho diversos amigos, mas em especial o Duda e o Cleber. |
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Um perfume? Bvlgari. |
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Uma viagem? Europa. |
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Uma tentação? As mulheres da Cidade Canção. |
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Básico ou despojado? Os dois. |
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Família? Segurança. |
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