Fernanda Machado
No dia 10 de outubro, Fernanda Machado completa 28 anos. Muito antes dos brasileiros conheceram seu talento na TV e no cinema, ela já respirava e vivia o teatro. Cursou artes cênicas em Curitiba e, nesse tempo, dedicou-se também à outra grande paixão: a maquiagem teatral. No tempo que passou na capital paranaense, foi premiada como melhor figurinista do Festival de Curitiba. “A peça era uma adaptação de poemas e contos de Brecht (Bertolt Brecht), com figurino de materiais reciclados”, conta ela que guarda, entre os tantos sonhos, ter uma grife com seu nome. Os muitos talentos de Fernanda não param por aí: dos 7 aos 17 anos, quando entrou na faculdade de teatro, investiu na dança moderna e, com quatro anos de Rede Globo, essa versátil maringaense acumula no currículo grandes trabalhos, entre eles a minissérie ‘Queridos Amigos’ (2008), as novelas ‘Paraísos Tropical’ (2005), ‘Alma Gêmea’ (2005) e ‘Começar de Novo’ (2004), e os longas ‘Tropa de Elite’ (2007) e ‘Inesquecível’ (2007). Durante passagem por Maringá, onde reside toda sua família, Fernanda falou, por telefone, com a reportagem da Frizz. Na conversa, doses de simpatia e uma história de quem ainda têm muito a brilhar. Fotos de Marcelo Faustini.
Atualizado em: 29/12/2008

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Como você se deu conta de que desejava seguir a carreira de atriz? Eu comecei com 12 anos, fazendo teatro no colégio que eu estudava aqui em Maringá. O meu professor era um profissional que dava aula de teatro mesmo, bem de verdade, nada de truques (risos). Eu levei a sorte de pegar um professor bacana, que me mostrou muita coisa legal que, de repente, em Maringá eu não tivesse acesso. Com 13, 14 anos eu já sabia quem era um Philippe Decouflé [francês coreógrafo, realizador e criador de desenhos animados]. Como eu já fazia balé, isso me fascinou muito e, a partir desse momento, uma paixão tomou conta. Não foi nada racional, foi uma coisa intuitiva e emocional. Apaixonei-me pela arte em si, e aí eu vi que precisava daquilo, que estava cada vez mais envolvida. Chegou uma hora que eu fazia só balé e teatro, ia na escola só pra bater cartão. |
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Sua infância em Maringá foi marcada por bons momentos? Bom, eu adoro estar aqui em Maringá. Minha infância sempre foi muito família. Somos muito unidos, meus melhores amigos sempre foram minhas primas e meus primos. O programa de fim de semana, desde pequenininha, sempre era almoço na casa da avó. Eu sempre fui muito cercada dos meus primos, tios, tias, meus avós. Isso foi minha infância, e o que mais me remete a ela é eu e meus primos, na casa da minha avó, no domingo, brincando na grama. |
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Que tradição você conserva até hoje? A gente sempre tenta se reunir quando eu chego. Uma tia vai ligando pra outra, que vai ligando pra outra, e a gente marca o tal do famoso café da tarde na casa da avó. Na verdade minha avó até faleceu, só tenho avô materno, e a gente continua falando do café da tarde na casa da avó (risos). |
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Em Maringá, qual a reação das pessoas quando vêem você na rua? Aqui é uma loucura, nenhum outro lugar do mundo é como Maringá. Eu fui para Lisboa, Portugal, e levei um susto: todo mundo me conhece! Pensei: caramba! Mas não é como Maringá, nada se compara a minha cidade (risos). Todo mundo aqui me conhece, sabe meu nome. Já em outros lugares as pessoas dizem: a moça da novela, ou do Tropa de Elite, mas não sabem meu nome. Aqui não! Aqui é a Fernanda (risos). É uma delícia! |
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Com quem Fernanda gostaria de atuar? Puxa, tem uma lista de atores (risos). A Fernandona [Fernanda Montenegro] eu fiz a minissérie [Caros Amigos], mas não tive nenhuma cena com ela. O próprio Wagner [Wagner Moura], fizemos ‘Paraíso Tropical’ e ‘Tropa de Elite’, mas não tivemos cenas juntos. Queria muito trabalhar com ele de uma maneira mais direta. Tem o Selton Mello também. Nossa, tem muita gente que eu gostaria de trabalhar. |
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E como você se cuida? Trabalhando eu não preciso fazer muita coisa. Quando estou na correria eu fico supermagrinha. Esse ano tá tudo meio desregulado, ai engordei um pouco e estou aqui em Maringá fazendo dieta (risos). Faço ioga há algum tempo e procuro caminhar, correr e fechar a boca. |
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Você tem medo da morte? Eu tenho medo de sofrer, que é ficar doente numa cama. Mas da morte em si, a gente sabe que um dia tudo vai terminar. |
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Como cidadã, o que mais te incomoda no Brasil? Corrupção e egoísmo. Nosso país é lindo, enorme, rico e tem todos esses problemas simplesmente pelo egoísmo, pela avareza dos caras que governam. Eles querem cada vez mais dinheiro, pensam no próprio umbigo e tá aí esse caos, esse bagunça. Infelizmente! |
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O sucesso encanta ou assusta? Tem que ter muito discernimento, muito pé no chão, porque senão ele pode te prejudicar. Eu acho que temos que saber lidar com as coisas para que elas nos ajudem e não nos atrapalhem. Acho que muito pela minha educação, pela minha formação de atriz, eu sei lidar com isso. Trabalho de ator é trabalho mesmo, é ralação, essa história de glamour é meio que bobagem. É um trabalho como qualquer outro e requer dedicação e muito estudo. Tem que ter pé no chão! |
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Você acostuma assistir as suas atuações? Sempre! |
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É muito crítica com você? Eu aprendi que isso fa |
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Como atriz, qual seu ponto forte? Primeiro eu venho de uma geração que hoje quase não se vê. As gerações que estão chegando não têm uma história de teatro. Isso é um diferencial, por mais que fale ou não se fale. Experiência nunca é demais! Ter feito teatro desde muito pequena me fez aprender demais. Fiz muito teatro com atores mais velhos, que me ensinaram muito mesmo. Essa vivência e aprendizado é o que mais me ajuda hoje. Pôxa, imagina que difícil que é uma pessoa que nunca fez nada parecido e cai de pára-quedas numa novela? E isso acontece muito, demais! |
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E quanto à criação de roupas? Adoro trabalhar com roupas. Gosto muito da coisa indumentária, não gosto muito dessa coisa da moda. Se eu fosse ter algo, ela seria pequena e totalmente diferenciada. |
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Você é uma pessoa mais emocional ou racional? Bom, eu sou libriana, então a coisa é bem equilibrada nesse sentido. Eu acho que já tive momentos muito emocionais, principalmente quando eu era mais novinha. Depois eu vim pro racional forte. Hoje estou numa medida mais equilibrada. |
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Quando você não está pensando em trabalho, o que está fazendo? Para esquecer do trabalho, certamente eu estou pensando e querendo viajar (risos). |
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No cinema, o que te agrada? Eu sou bem cinéfila e sempre vi muito cinema. Quando tinha tempo ia três, quatro vezes por semana. Eu vejo de tudo. Evito muito aqueles ‘americanóides’, vejo mesmo só se tiver um grande ator. Fui ver ‘Piratas do Caribe’ pra ver o Johnny Depp, mas não é o tipo de filme que faz minha cabeça. Filmes independentes eu gosto mais. |
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E na TV, o que você assiste? Na TV te confesso que vejo muito TV por assinatura, já não vivo mais sem. Gosto muito de ver, quando dá tempo, documentários e os tele cines da vida. |
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Bate e volta com Fernanda Machado
A melhor viagem – A que eu fiz esse ano. Fiquei um mês viajando país a fora. Meio mochileira, com pouco conforto, batendo perna. Adorei!
Hobby – Adoro dançar
Estilo de música – Sou bem eclética. Gosto muito de MPB e música alternativa
Um cantor – Chico Buarque
Uma cantora – Adriana Calcanhotto
Uma banda nacional – Legião Urbana
Uma banda internacional – Coldplay
Consumista ou moderada? Não era consumista, mas acho que este ano estou um pouco. Mas, de verdade, detesto ser consumista!
Admira - Minha mãe e meu pai
Gastronomia – Todas as que meu namorado faz. Além de ser fotógrafo, Marcelo é chef nas horas vagas. Ele arrasa!
Uma bebida – Água de coco
A qualidade de Fernanda – Dedicação
Um defeito – Meu perfeccionismo pode me levar à loucura
O livro que você indica – Carta ao Pai, de Franz Kafka
A maior conquista – Ter chegado aonde cheguei
Não falta na bolsa – Meu celular
Não falta na geladeira – Água de coco
Uma mania – Tenho mania de limpeza
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