Maria Iraclézia: o retrato da mulher moderna
“Uma loucura!”. É como Maria Iraclézia de Araújo define a correria do seu dia-a-dia graças ao ritmo acelerado de trabalho como presidente da Sociedade Rural de Maringá e vice-presidente do Núcleo de Criadores de Nelore. Além disso, a mãe do pequeno Ettore é professora universitária e já gerenciou o Centro de Biotecnologia do Cesumar. Formada em Zootecnia pela Universidade Estadual de Maringá, Iraclézia, que nas horas vagas gosta de curtir o filho e andar a cavalo, tem como maior prazer gerenciar sua fazenda. Conheça, na entrevista logo abaixo, um pouco mais sobre esta fantástica mulher. Fotos Joelma Scatambulo
Atualizado em:05/06/2009

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Como é estar no cargo de presidente da Sociedade Rural de Maringá? É uma honra representar um segmento tão importante como o do agronegócio, mas ao mesmo tempo também é um grande desafio. Este é um cargo que exige muita responsabilidade e comprometimento. |
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Você é a primeira mulher a ocupar um cargo como este, certo? Isso requer mais responsabilidade? Com certeza o nível de exigência é maior neste caso, já que se trata de uma mulher ocupando um espaço que antes era exclusivamente masculino. |
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Existiu/existe preconceito? Não. Apesar do desafio, as pessoas - especialmente a Diretoria - costumam respeitar minha posição e ajudar no que é preciso. |
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Quais são as novidades da Expoingá 2009? Esta realmente será uma feira de grandes novidades, principalmente, pelo fechamento da arena, que permite ao visitante optar por apenas visitar a exposição ou assistir aos shows e rodeios. Teremos ainda a realização da feira de logística, voltada para o segmento de transporte rodoviário, e com exposições de produtos e serviços relacionados à logística e segurança, tais como equipamentos de movimentação de carga, armazéns gerais, tecnologia da informação. Ainda teremos a realização de julgamentos e leilões - que trarão animais de raças nobres. Outra grande aposta da Expoingá 2009 é a volta do segmento de máquinas e implementos agrícolas, que trarão à feira o que há de mais moderno em colheitadeiras, tratores e equipamentos de agricultura de precisão. |
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E as expectativas? São muito boas à medida que a feira se torna mais acessível ao público. Acredito que a comercialização deverá crescer, principalmente, no setor de animais, máquinas e implementos agrícolas. |
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Até que ponto a crise mundial afetou os criadores de Nelore, já que é a raça mais valorizada? Os criadores ficaram mais cautelosos e atentos ao cenário econômico atual, observam e executam suas decisões sem cometer exageros. A comercialização em leilões nas demais feiras agropecuárias, já realizadas este ano em todo país, tem confirmado bons negócios. Acredito que a crise não afetou a raça nelore, já que os principais criadores do país já confirmaram presença na exposição. Os leilões foram confirmados e com certeza os melhores animais estarão à venda, não só do nelore como das demais raças de bovinos, eqüinos, suínos, caprinos e ovinos. |
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O agribusiness é apontado como um dos principais fatores do desenvolvimento econômico brasileiro. Como ele é composto por muitas cadeias produtivas fora, inclusive, do setor rural, em que medida ele pode ser um efetivo indutor de desenvolvimento no campo? O agribusiness é um efetivo indutor do desenvolvimento no campo, uma vez que traz tecnologias e melhorias de renda ao produtor rural. O nosso país tem vocação para agropecuária, onde temos uma das maiores áreas agricultáveis do mundo. Somos o único país com a possibilidade de triplicar a sua produção, de forma sustentável, respeitando o homem e o meio ambiente, e uma prova disso é que quando o “campo” vai bem, toda a sociedade se beneficia, pois gera divisas, movimenta o comércio em todos os seus segmentos. Essa visão do agribusiness já foi vislumbrada por Abrahm Lincoln, quando da crise mundial. Pois ele dizia, como grande estrategista que foi, que se “destruíssem as cidades, o campo às reergueriam, agora se destruíssem o campo, as cidades e a humanidade pereceriam”. Essa é a importância do campo, do setor rural para o país e para a humanidade. |
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São muitas as opiniões contrárias a uma reforma agrária com distribuição de terras. Qual sua visão? A questão social no campo existe, mas não pode sacrificar os produtores. Neste caso, o governo precisa ter uma visão macro do que não é produtivo e fazer a distribuição necessária e adequada de terras. A reforma agrária, se bem conduzida, é um fator importante para o desenvolvimento e qualidade de vida e também uma forma de fixar o homem no campo e gerar rendas. Agora, precisamos de critério nesta condução. A simples distribuição de terras causa um impacto negativo, na condução dessa idéia, uma vez que o homem sem recursos e sem tecnologia, rapidamente abandona ou vende a terra adquirida, e isto está mais do que provado, a história já nos mostrou isso. Além do que, muitos que recebem esta terra não possuem vocação e nem capacidade gerencial para conduzi-la. A reforma agrária, que funciona, tem que ter assistência técnica para produzir, assistência gerencial, para aplicar os recursos oriundos da produção e uma seleção criteriosa dos candidatos a receberem esta terra. |
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Os grandes empresários rurais apontam à violência no campo, principalmente em relação às ocupações de terra promovidas pelos movimentos de sem-terra, como um fator de instabilidade e impedimento, inclusive, de mais investimentos no setor. Como você analis Os empresários rurais realmente ficam temerosos de investir em uma atividade em que o risco é inerente da produção, pois dependemos do clima para que possamos produzir. Agora, se, além disso, temos ainda a instabilidade social ameaçando o setor produtivo, não com o objetivo de produzir, mas simplesmente causar desordens, com fins e objetivos obscuros, que não se sabe exatamente a serviço de quem, realmente torna-se difícil o empresário investir no setor. A política da reforma agrária precisa ser clara, sem uso apenas político, pois dessa forma, só gera instabilidade e violência, que é o que temos visto em vários casos. Portanto, os dirigentes precisam ser responsáveis por essa condução e pensar mais no país e no povo que nele vive que é ordeiro e trabalhador. |
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Você é professora. Hoje está na presidência da SRM e também é vice-presidente do Núcleo de Criadores de Nelore. Como Iraclézia concilia vida profissional e pessoal? Concilio bem, mas é claro que, às vezes, é preciso sacrificar algo. O que procuro sempre é não sacrificar a relação com meu filho. |
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Você é conhecida, respeitada e admirada em Maringá. Iraclézia se move mais por princípios ou ambição? Sem dúvidas por princípios. Considero-me uma pessoa justa e muito sincera. Tenho ambições, é claro, mas desde que não interfira no que acredito e considero como certo. |
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Você é natural de Acopiara, Ceará. Como veio parar em Maringá? Há 20 anos vim para o Paraná, mais precisamente para Maringá, visitar um tio que já tinha o sonho de aproximar a família. Logo que cheguei aqui me encantei pela cidade. Fui então estagiar na Sociedade Rural de Maringá, onde fui colaboradora por 14 anos antes de chegar à presidência da entidade. |
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O que mais lhe encanta na cidade de Maringá? A beleza e o verde da cidade. Aqui temos a sensação da proximidade com o belo e o natural, o que lembra muitas vezes estarmos no campo. |
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Com tantos compromissos, como consegue tempo para cuidar da beleza? E quais são seus rituais? Não sou fixada a esta questão. Como mulher procuro manter a vaidade feminina essencial, portanto, tenho um cuidado especial com o cabelo, hidrato sempre que necessário. Também cuido bastante da sobrancelha, limpo a pele diariamente e não deixo de usar hidratante e protetor solar, este último durante o dia e até mesmo a noite. Sem contar com a mania que tenho por hidratantes e óleos corporais. |
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Como é sua relação com seu filho Ettore? Excelente e de muita cumplicidade. Participo ativamente da vida e da sua formação e não deixo de dar a atenção que ele precisa. Chego em casa após o trabalho e me dedico integralmente a ele. Aproveitamos cada momento juntos. |
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Como você se descreve como mãe? Exigente e de pulso firme. Ao mesmo tempo em que educo e participo da sua formação cobro atitudes de respeito e compromisso com a vida, porque sei o quanto isso é importante para que ele não sofra mais tarde. |
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E como profissional? Sinto-me realizada profissionalmente. Dentro da minha área de atuação profissional sou extremamente comprometida com o trabalho e procuro realizá-lo com dedicação e profissionalismo. Também sou muito ética no que faço. |
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Rapidinhas
Não pode faltar na geladeira – Leite
Não pode faltar na bolsa – Batom
A melhor comida – Bacalhau a portuguesa
Básico ou sofisticado? Básico
Noite ou dia? Dia
O perfume que mais gosta – Versace
O filme que marcou – “O Amor nos Tempos do Cólera”, de Gabriel Garcia Marques
O ator que admira – José Mayer
Uma mulher bonita – Maria Fernanda Cândido
Religião – Católica
Um lugar para descansar – Praia e campo
Um lugar que pretende voltar – Uma gruta na região praiana de Pernambuco.
A viagem que ainda quer fazer – Jerusalém
O livro que indica – “O monge e o Executivo”, de James Hunter
Mania - Perfeição. |
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