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Elisabeth Bueno - Uma História de Amor pela Educação

Em entrevista à Frizz, professora Elisabeth Bueno Laffranchi revela a sua fórmula do sucesso, à frente da Unopar e na consolidação da GR nas Américas: muito trabalho! Ela está sempre impecável, é referência em elegância e poderia perfeitamente viver um cotidiano bem mais tranqüilo, depois de tantas realizações e conquistas. Não se a personagem em questão for a professora Elisabeth Bueno Laffranchi. Nascida em Santos (SP), a reitora da Unopar é bem-sucedida em várias frentes. Na educação, área em que atua por quase cinco décadas, na Ginástica Rítmica, com trabalho que desenvolveu a partir de 1972, fomentando a prática nas Américas... Recentemente, nossa capa de maio da Frizz Magazine foi nomeada Membro Honorário pela Federação Internacional de Ginástica, por conta dos serviços prestados. Na América toda, apenas a professora Elisabeth foi escolhida. Ficou lisonjeada, mas não pôde estar na Finlândia para receber a homenagem. O motivo? O mesmo que revela ser sua receita de beleza: o trabalho. “Com o volume de trabalho, raramente tenho tempo de me submeter a tratamentos de beleza. Quando muito dá para ir à manicure, ao cabeleireiro. Acho que tanto trabalho faz a minha cabeça ficar ativa. Acredito que a pessoa que trabalha não tem tempo para envelhecer. O trabalho rejuvenesce qualquer pessoa”, afirma. E é assim, nesse bate-papo sincero, franco, em que todas as perguntas receberam prontamente a resposta, a professora Elisabeth é a estrela do persona.

Atualizando em: 29/06/09

 


 

Conte-nos um pouco sobre seu envolvimento com a educação. Ele começou em 1967, correto?
Desde pequena eu sonhava em ser professora, sempre tinha um quadro negro, um giz... Meu amor pela educação é antigo. Em Londrina, comecei em 1967, como professora substituta. Em 1971, passei no Concurso do Estado e comecei a trabalhar no Instituto Estadual de Educação de Londrina, no magistério. Foi também em 1971 que, junto com outros professores, começamos o curso de Educação Física da UEL. E em 1972, meu esposo e eu, fundamos a FEFI (Faculdade de Educação Física), que em 1997 se transformou na Unopar.

A senhora veio de São Paulo, não é?
Eu sou santista, mas me mudei para São Paulo onde estudei em uma das faculdades que depois formaram a USP (Universidade de São Paulo).

E como foi o envolvimento com a GR?
Fui fazer um curso de especialização nessa área em 1971, em São Paulo, e me apaixonei. Foi paixão à primeira vista, aliás! Procurei me especializar cada vez mais no assunto, trouxe a GR para Londrina, comecei a trabalhar dentro da Universidade, dentro da FEFI de antigamente, e então começamos a participar de jogos escolares, campeonatos paranaenses, brasileiros, mundiais.

O ano de 1965 foi bastante importante para a senhora...
Exato. Me casei em 1965, e em 1966 me mudei para Londrina. E moro no mesmo lugar até hoje, no Lago Igapó. Ali era zona rural, porque a cidade, naquela época, terminava onde é hoje o Mater Dei. Dali para frente era só mato, cobra, essas coisas todas. Nessa época, Marco Antonio era médico fisiatra, mas aqui não teve oportunidade, porque ninguém sabia o que era a fisiatria. Até hoje existem poucos fisiatras em Londrina. Como tínhamos que ganhar dinheiro para sobreviver e a medicina dava muito pouco, ele passou para o ramo de negócios.

E como foi entrar no ramo da educação?
Olha, isso foi uma coisa muito engraçada. Nós fazíamos parte do Cursilho de Cristandade e o padre João, que era do Colégio São Paulo era nosso amigo. O colégio estava passando por muitos problemas financeiros. Depois de conversarmos com ele, assumimos o Colégio, que era uma escola de 1º e 2º graus. E foi assim que começamos a trabalhar com educação. Na verdade, foi mesmo um presente de Deus. Quando Marco Antonio disse que queria fundar a FEFI eu estava dando aulas na UEL, e não queria largar. Mas fiz isso e em 1972 fiquei só com a FEFI, que hoje é a Unopar.

Recentemente a senhora foi nomeada Membro Honorário pela Federação Internacional de Ginástica, por conta dos serviços prestados. Conte-nos um pouco sobre essa homenagem.
A Federação Internacional de Ginástica me mandou uma comunicação oficial informando que eu deveria estar na Finlândia no final de 2008 para receber o prêmio. Mas eu não pude ir, e quem recebeu o prêmio por mim foi a presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, Vicélia Florenzano. Não pude comparecer em função de compromissos aqui na Unopar. Recebi essa homenagem que muito me honra, justamente pelo trabalho que fiz no desenvolvimento da Ginástica Rítmica no Continente Americano.

Fale mais sobre a sua história com a ginástica...
Comecei em Londrina em 1972, com a Ginástica Rítmica, participando de campeonatos brasileiros. Depois, em 1992, entrei na Federação Internacional de Ginástica, quando já fazia parte do Comitê Técnico da Confederação Brasileira. O cargo na Federação Internacional é eletivo, com 127 países de todos os continentes do mundo. Continuei me reelegendo a cada eleição que ocorre de quatro em quatro anos, após as Olimpíadas. Meu trabalho foi no sentido de desenvolver a ginástica rítmica nas Américas. Acho que consegui meu objetivo, porque no Campeonato Mundial da Grécia, um ano antes das Olimpíadas da China, foram selecionados os melhores grupos para os Jogos, e tínhamos vários países da América competindo. Isso me deu uma alegria muito grande. Estavam lá Canadá, Estados Unidos, México, Cuba, Venezuela, Chile, Argentina, Brasil, o que para mim foi gratificante.

Londrina foi o começo disso...
Londrina ficou como referência nas Américas. A homenagem também leva em conta o trabalho que fiz em relação ao Código de Pontuação da ginástica, que é a lei do esporte. Também participei de vários Jogos Olímpicos: Barcelona, Atlanta, Sidney e Atenas, como Júri Superior. Pedi demissão da Federação Internacional de Ginástica antes dos Jogos Olímpicos de Pequim para que pudesse me dedicar ao recredenciamento da Universidade, o que conseguimos com sucesso de toda a equipe.

Quais as melhores lembranças que a senhora guarda da GR?
São tantas lembranças... A primeira vez em que fomos campeãs dos Jogos Escolares Brasileiros foi uma maravilha! Ainda estávamos na FEFI naquela época, mas fomos representando o Estado do Paraná. Foi a primeira vez que o Paraná conseguiu vencer o Rio de Janeiro, que ganhava sempre. Depois que conseguimos, não paramos mais! Fomos campeãs brasileiras durante muitos anos. Também me lembro dos primeiros Jogos Panamericanos que participamos, em Winnipeg, quando o Brasil ganhou o primeiro lugar. Estávamos disputando o 3ª lugar geral com outro país e nossa medalha de ouro iria fazer a diferença. Nessa época a TV Globo parou sua programação de domingo a tarde para mostrar a Seleção Brasileira. O estádio inteiro de Winnipeg aplaudiu nossa equipe. Para nós foi uma emoção muito grande. Também, ver o Brasil participar pela 1ª vez em uma Olimpíada em Sidney, é uma lembrança inesquecível.

Jogos Panamericanos de Guadalajara e Jogos Olímpicos de Londres? Qual a perspectiva para a nossa GR?
Acredito que o Brasil vai continuar ganhando os Jogos Panamericanos. Não sei como será nas Olimpíadas, precisamos ver como estão os outros países, o quanto eles cresceram. Mas acredito que, com certeza, o Brasil será o próximo campeão das Américas.

Vamos falar sobre a Unopar. A questão da responsabilidade social é uma prioridade?
Com certeza, é uma obrigação de todas as empresas. Olhando para trás, fico admirada em ver quanta coisa foi feita e está sendo feita aqui na Unopar, na questão social. Sabe o que me faz sentir que vale a pena viver e trabalhar? É quando vejo esses meninos e meninas todos com a camiseta da Unopar fazendo esporte, as pessoas frequentando nossas clínicas de Fisioterapia, de Fonoaudiologia, a clínica de Odontologia, tudo isso faz com que eu agradeça a Deus a oportunidade que nos deu.

A senhora tem a dimensão do que significa tudo isso?
É um GRANDE trabalho. Temos ainda a educação a distância: quantas pessoas estão tendo a oportunidade de estudar? Estive em Brasília nos últimos dias, fui visitar os nossos pólos e conversei com os alunos. Tem gente já formada estudando novamente, com salas heterogêneas, administradores práticos necessitando de diplomas, gente de posses, alguns mais simples, enfim, o ensino a distância é “educação para TODOS”. Muitos alunos afirmaram: “É a oportunidade da minha vida!”

A dedicação à Unopar é exclusiva, mas tem espaço para outras atividades, como o esporte, por exemplo?
Não, não tenho. Hoje, por exemplo, acordei às 4h00 da manhã, preocupada com o dia de trabalho na Unopar. Às vezes eu e meu marido acordamos de madrugada para colocar a cabeça no lugar e tomar algumas decisões. Amanhã mesmo tenho que entrar ao vivo para todo o Brasil, em uma reunião pesada com todos os pólos de Ensino a Distância. Depois de um dia de trabalho ainda vamos para casa e continuamos falando da Unopar, resolvendo problemas. Eu não tenho um marido em casa, tenho um companheiro de trabalho. Dormimos falando da Unopar, acordamos falando da Unopar. É desgastante, mas ao mesmo tempo gratificante pelo que está sendo feito para a comunidade.

Essa rotina desgastante parece não interferir na senhora, que a cada dia está mais bonita. Qual é a receita para estar em ótima forma?
Vou dizer para você: é muito trabalho e não tenho tempo de fazer tratamento de beleza. Eu não consigo fazer nada, quando muito dá para ir à manicure e ao cabeleireiro. Acho que tanto trabalho faz com que minha cabeça fique ativa. Acredito que a pessoa que trabalha não tem tempo para envelhecer. O trabalho rejuvenesce qualquer pessoa.

O que tira a professora Elisabeth do sério?
Irresponsabilidade! Não admito irresponsabilidade. Quando você tem que fazer alguma coisa, passa para as pessoas e todo mundo depende daquilo, e aquilo não é feito, eu não consigo admitir.

Qual é o seu ritual sagrado, o que faz todo dia, que é regra?
Acordo muito cedo, faço minha oração, meditação e inicio as atividades inerentes ao meu trabalho. À noite, faço bicicleta ergométrica escutando música para relaxar.

Tem algum gênero musical preferido?
Música calma, romântica e religiosa.

Esposa de Marco Antônio, mãe de Alessandra e Bárbara, avó de Renato e Jordana. Como é a relação com a família?
É uma relação prazerosa. Ser mulher é uma dádiva de Deus, principalmente quando a gente consegue ser mãe e avó.

Qual a melhor resposta para aqueles que dizem: “Ah, a professora não precisaria trabalhar, se não quisesse”...?
Uma coisa é não precisar, outra bem diferente, é poder parar... Não tenho condições de parar, tenho que ficar trabalhando. É uma questão de necessidade.

A propósito, o que esperar da Unopar e da professora Elisabeth para os próximos anos?
Vou continuar trabalhando na Unopar, buscando realizar alguns projetos junto com a comunidade, com a Prefeitura, para melhorar a qualidade de vida de quem mora em Londrina. Acho que Londrina, se tiver um bom projeto, pode ser exemplo para o Brasil todo.

PINGUE-PONGUE
• Uma mania: “Escutar música antes de dormir”
• Uma música: “Se eu quiser falar com Deus, do Gilberto Gil”
• Uma frase: “É difícil, mas não é impossível”
Um cantor: Andrea Bocelli
• Uma cantora: Maysa
• Um ator: Antônio Fagundes
• Uma atriz: Fernanda Montenegro
• Perfume: “No verão, Mademoiselle, de Chanel; no inverno, Paloma Picasso”
• O que não falta no seu guarda-roupa: “Jeans. Eu amo jeans. Quando não estou com a roupa que devo usar como Reitora, estou sempre de jeans”
• E na geladeira... : “Frutas e sorvete”
• Uma lembrança: “Em 1958, quando eu tinha 15 anos, no dia 7 de setembro, havia demonstração de ginástica no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Era a primeira vez que eu iria participar, estava no primeiro ano da escola normal e já fazia ginástica. Foi nesse dia que conheci o Marco Antonio. Ele era médico estagiário e estava lá ajudando as pessoas, para o caso de alguém passar mal. E eu falava para as minhas amigas: ‘Olha, eu vou desmaiar e vocês chamam o Marco Antonio para me salvar’ (risos)”.
• Um sonho: “O meu sonho é coletivo. Eu gostaria que não houvesse violência, que houvesse paz, e que os políticos fossem homens honrados, tementes a Deus e que só trabalhassem para o bem do povo. É um sonho difícil, mas não impossível. Nessa fase da vida em que estou é isso que almejo”.

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